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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Como seriam os dez mandamentos se Moisés viajasse de avião?


(Ou Dez regras básicas para não ser socado pelo cara da poltrona ao lado)
Nos últimos anos, com a ascensão (graças a Deus) da classe C e o maior fluxo de passageiros nos aeroportos do País, as viagens de avião tornaram-se mais comuns para um número cada vez maior de brasileiros.
O problema é que, inversamente proporcional ao aumento no número de passageiros, o espaço nos aviões vem ficando cada vez mais reduzido. E em pouco espaço vale a regra de respeitar o próximo, que no caso, está mais próximo do que nunca.
Não culpo os passageiros pelo incômodo ao vizinho do lado (ou da frente ou de trás). Muitas companhias aéreas em vez de aumentar a frota (claro, imagino que não seja baratinho comprar um Boeing ou um Airbus para dar “apenas”mais conforto ao passageiro), simplesmente reduziram o espaço entre poltronas para fazer “caber” mais no mesmo espaço. Resultado? Dores nas costas, pernas, mau-humor e falta de sono.
Voei recentemente por uma famosa companhia italiana e de duas, uma: ou eu fiquei mais alta, ou o espaço entre poltronas e braços de poltrona foi drasticamente reduzido - na classe econômica, claro! Só sei que com a idade, costumamos encolher, e não o contrário...
Não me lembro de ter feito uma viagem tão apertada na vida. A começar pela caixa de ferro colocada sob as poltronas das fileiras da janela. Num voo de 12 horas, não ter espaço para esticar as pernas é uma verdadeira tortura, que beira o absurdo e sadismo. Com o avião lotado, então, não existe a possibilidade de trocar de poltrona...
Outro problema do estreitamento de espaço entre braços é o simples ato de se levantar. Sem espaço para se mover e com as pernas adormecidas, o passageiro usa a força dos braços para ganhar impulso. Geralmente, puxa a poltrona da frente. O solavanco acorda o outro passageiro que conseguiu adormecer graças às pílulas para dormir ou simples exaustão física e mental, causada pelo puro ódio de viajar como gado.
Nas doze horas de “tortura”, pensei nos mandamentos básicos de boa-convivência entre passageiros submetidos aos espaços reduzidos das aeronaves. Aí vão eles:
1- Não ocuparás a poltrona do próximo. Procure ocupar o lugar que foi designado a você e reze para não ter caixa de ferro no pé...
2- Não baterás ou chutarás a poltrona do próximo à sua frente com o pé ou joelho
3- Não abrirás o jornal inteiramente na cara do próximo ao seu lado.
4- Não comerás com os cotovelos abertos para incomodar o próximo.
5- Não abaixarás subitamente a poltrona para bater no joelho do próximo que está atrás de você.
6- Não puxarás a poltrona do próximo para se levantar, acordando o próximo que conseguiu dormir.
7- Não passarás pelo corredor batendo nas poltronas dos próximos (ou nos pés, costas ou pernas).
8- Falarás baixo, em especial nos voos noturnos, para não incomodar os próximos que estão dormindo. E manterás o volume do fone de ouvido baixo para não irritar o próximo.
9- Tentarás ir ao banheiro quando os próximos da sua fila também se levantarem e não se incomodarás se estiver no corredor e os próximos precisarem ir ao banheiro.
10- Não usarás o banheiro do avião como um sanitário de beira de estrada e de maneira demorada, deixando tudo sujo e molhado para o próximo.
Se as companhias aéreas não fazem a parte delas, pelo menos nós, cidadãos caridosos, podemos cuidar para que as viagens longas sejam pelo menos...CRISTÃS. Boa viagem!
OS: Danuza, como sempre, certíssima! Tenho mais cinco anos de econômica pela frente...
Imagens: Reprodução

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Nhoque à Sorrentina, torta caprese e muita escada pra manter a linha...

Assim como os nossos virado à paulista, moqueca capixaba ou tutu à mineira, os italianos também adoram batizar seus pratos referindo-se aos locais de origem. Em Sorrento, porta de entrada da belíssima Costa Amalfitana, um dos pratos preferidos é o nhoque à sorrentina.

A cidade, injustamente pouco indicada pelos guias de viagem, é uma grata surpresa  aos viajantes,com preços melhores do que a caríssima  Positano e paisagens lindas do golfo de Nápoles.

O centro histórico, com seus bequinhos medievais,  é cheio de lojinhas, restaurantes e limões por todos os lados. Sorrento é a capital italiana do Limoncello, licor de limão amarelo de alto teor alcóolico que fica delicioso quando misturado a uma granita (a nossa raspadinha de frutas). A adoração à fruta é tanta que fizeram atè um jardim público de limoeiros no centro da cidade...
Lojas de produtos à base de limão

Uma dica de hospedagem é o hotel Il Faro, na Marina Piccola, de frente para o Porto de Sorrento, de onde saem os barcos para Capri. O lugar é estratégico e por 10 euros a mais dá para pegar um quarto com varanda, com uma vista linda do mar e dos iates. Para chegar ao centro, uma escada de quase 200 degraus - a primeira de uma série de escadas gigantes da viagem - ajuda a queimar as calorias do inhoque à sorrentina.

O prato típico nada mais é do que nhoque de batata com tomate e mussarela, mas é tão gostoso e levinho que parece comida de mãe. De entrada, algo do mar, como salada de polvo no azeite ou brusquetas de aliche. Se for encarar ainda o secondo piatto (o primo piatto para os italianos é sempre uma massa ou risoto), a opção é peixe-espada com molho de limão.
Salada de polvo de Sorrento

De sobremesa, a dica é um dos diversos sabores da sorveteria Primavera, freqüentada até pelo Papa e cujo dono é estrela de diversas reportagens do mundo inteiro pregadas nas paredes. No ano passado, ele chamou uma atrizes italianas famosas e fez uma fonte de calda de chocolate na porta da loja para elas se banharem de biquini. Marketing de primeira!

Um dos quatro casamentos da manhã de terça-feira
Ah, Sorrento também é point para casamentos. Numa terça-feira de manhã, vi pelo menos 4 noivas na cidade, mais romântico impossível...

Torta e Salada Caprese

Mar de Capri
De Sorrento partem os barcos para Capri, lugar com o mar mais azul do mundo. Sem exagero! A água é tão azul, mas tão azul, que dá pra ver nas pedras das grutas uma espécie de "tinta" colorida que "pinta" as margens ds rochas. Increditável, mas é vero!
O "azul" da água pinta as paredes de pedra

Lá fica a tal Grotta Azzurra, passeio imperdível pra conhecer onde o cruel imperador Tibério, que não era bobo nem nada, gostava de se banhar. Tem que ver in loco pra entender a beleza do lugar, que tem uma entradinha de um 1,30 de altura e por onde você tem que entrar deitado numa canoa, com uns barqueiros meio broncos, mas buona gente! O sol bate no fundo da gruta e transforma o lugar em um mar de neon...
Entrada da Grotta Azzurra com 1,3 metro de altura

De resto, a ilha é luxo puro, com a vilinha de Capri recheada de lojas de grifes e restaurantes divinos. Lá, experimente a tal torta caprese, com massa molhadinha de chocolate, amêndoa e cobertura de açúcar de confeiteiro fininho, fininho...Os restaurantes de São Paulo deviam oferecer nos cardápios, em vez do batido Tiramissú!

Outra especialidade é a salada Caprese (mas esta comi em Amalfi), com tomate doce (por isso é fruta), a melhor mussarela de búfala e tanto manjericão que parece rúcula. Ainda bem que segui pra Positano, a cidade que tem ruas em forma de escadas...Haja step pra manter a linha...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Primo Piatto: a pizza napolitana mais famosa do mundo!


Abandonei o blog, nas últimas semanas, por um motivo bastante justo: minhas férias! Organizar roteiro, hotéis, passagens, malas, roupas e guias exigiu de mim uma área do cérebro tamanha que sobrou pouco espaço para outros pensamentos. Escrever, então,  virou tarefa ainda mais árdua com a cabeça cheia de cidades desconhecidas...

O roteiro escolhido? Itália. Mas não a tradicional , de Roma e Veneza. Optei por duas regiões opostas e diferentes: a Itália do Sul, de Nápoles e da Costa Amalfitana; e a do Norte, da região da Toscana.

Escrevo do trem que me leva à Florença, depois de um dia inteiro cruzando o país de Sul a Norte -a pé,  de ônibus, trem, com direito a paradinha em Nápoles para resgatar uma mala pesada que deixei no primeiro hotel da viagem.

A semana inteira foi de descobertas variadas - do dialeto italiano falado em Nápoles, incompreensível até para os próprios conterrâneos, às iguarias criadas nas cidades visitadas e que levam o nome dos lugares  para o mundo.

Primeira parada gastronômica: a pizza napolitana. De cara, a cidade assusta. Descer na Estacione Centrale, vindo de Roma, joga na cara do turista que o lugar é para os "bravos". O lixo está espalhado por todo lado, os tipos mal encarados abundam e sempre lembramos que aquela é a terra da máfia.
Becos de Nápoles

O idioma é cheio de " sche sche" e se você entende um pouquinho de italiano, vai achar que o trem parou em outro país. Mas o povo napolitano é simpático por natureza, apesar de parecer mal-humorado, e não  pensa duas vezes para te ajudar da melhor maneira possível. Se precisar, eles andam uma quadra com você até a entrada da estação de metrô para ter certeza que você entendeu a informação. Aconteceu comigo...

Aos poucos, a cidade começa a mostrar seus encantos: o centro histórico, com suas roupas nas janelas, tem seu charme. As igrejas são bonitas e San Genaro é o santo local. Qualquer bodega tem uma ótima pizza a 1 euro para enganar a fome de tanto andar.

Pizza em toda esquina

Sorvete napolitano, aos baldes. Os sabores são uma incógnita sem um dicionário. Mas nenhum que provei decepcionou. Nocciola (acho que é nutela), baba (um doce típico da região), lemone (um clássico na terra do licor limoncello), pera com ricota, todos deliciosos.  Só não consegui comer a sfogliatella por pura falta de espaço na barriga...
Doce típico napolitano

Piazza  Plebiscito, Teatro San Carlo, Galeria Umberto Primo, Castelo Nuovo, Quartieri Spaglioli: os pontos turísticos se sucedem, mas a fome te acompanha na longa caminhada. À beira mar, muitos pratos napolitanos levam peixe ou frutos do mar. O espaguete com marisco vem com as conchas, banhado em azeite e ervas. Impossível não passar o pão no prato. Pra acompanhar, um vinho branco ou prosecco da região, bons e baratos.

A pizza mais famosa de Nápoles é a da pizzeria  Anticua de Michele. Tradicional, só vem em dois sabores: marguerita (mussarela, tomate e manjericão) e marinara (tomate, alho, orégano) . Ficou ainda mais famosa quando Julia Roberts comeu uma inteira no fraquinho filme Comer, Rezar e Amar.

Fila pra comer a pizza mais famosa de Nápoles

A fila na porta é para quem quer mesa. Para comprar e levar, são só dez minutinhos. "Cinque" bem gastos euros.  Para comer com a mão, como os napolitanos, na rua, sujando a boca e a roupa e falando "Mama Mia" para quem passa. A resposta é sempre um sorrisinho de "eu sei, eu sei..."

Nos próximos posts:  nhoque à sorrentina (direto de Sorrento) e a torta e a salada caprese (direto de Capri).  E ainda: o restaurante com a melhor vista do mundo (em Positano).

Baccio!