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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O desafio do feijão: panela de barro, ferro ou pedra?

Agora que meu blog está no site Comidas e Receitas , achei por bem postar mais sobre uma das minhas atividades preferidas: cozinhar.

Depois que descobri que meu post mais lido aqui é justamente o "Cozinhar não coisa de mulherzinha"    percebi  que o tema tem potencial pra crescer (sem deixar de lado outros fatos "importantes" como a anorexia de Angelina Jolie, minha falta de aptidão para sambar e as torturas e delícias de uma sessão de shiatsu).

Resolvi voltar a um assunto recorrente, que já gerou muita discussão regada a cerveja, com amigos e ex-colegas sobre a melhor panela pra fazer feijão.

Durante muito tempo sempre acreditei que a panela de barro fosse a melhor. A minha foi comprada no Espírito Santo, na cidade de Serra, durante uma reportagem  que fiz sobre o Milagre das Formigas Bordadeiras (assunto tão complexo e enigmático que merece um post só pra ele), exibida na TV Bandeirantes. Trouxe a peça enrolada em jornal e plástico bolha, abraçada no avião, com medo de quebrar.

Na estreia da panela, fiz "AQUELE" feijão gordo, com bacon e linguiça, alho frito no azeite e na gordura da carne, folhas de louro e o toque final: um pedaço de madioquinha pra cozinhar junto com o feijão. O truque, além de engrossar o caldo, produz uma mandioquinha saborosa, que pode ser amassada e comida juntamente com arroz e feijão. De dar água na boca!

Sucesso garantido da panela de barro. Refiz o feijão algumas vezes, mas no dia a dia, acabava usando uma panela de inox mesmo e menos gordura. A peça de barro serviu ainda para fazer algumas moquecas e peixes ensopados, até que foi esquecida no canto da cozinha, mofou e agora ostenta uma delicada plantação de suculentas. Virou vaso, tadinha!

Tenho uma panela de ferro em casa, mas que só uso para frituras. Acho que é mais resistente e que esquenta melhor o óleo. Tenho uma certa "aflição" de cozinhar qualquer coisa naquela panela pesada, com a borda preta de tão velha - sei lá, birra mesmo da panela.

Então, fui testar a tal da panela de pedra, sempre muito defendida por um colega que adorava cozinhar em panelas de pedra, quase um retorno ao período Neanderthal. Pedras, afinal, foram mesmo as primeiras "panelas" e assadeiras. E se a raça humana se alimentou com proteína suficiente para fazer com que nosso cérebro ficasse grande e inteligente (na maioria(?) das pessoas), para que nos tornássemos a espécie dominante da Terra, vai ver a pedra deve ter mesmo "vitamina" ou sei lá o que..

Comprei a tal panela Neanderthal em Maringá, cidadezinha estranha: metade fica no Rio de Janeiro, metade em Minas Gerais, na região serrana de Visconde de Mauá. Antes de usar, a panela deve passar por um processo de "cura": você tem que passar óleo em toda peça e na tampa e botar no forno para "assar" por duas horas. Feito isso, é só lavar (deixe esfriar, pelo amor de Deus) e usar.

A panela já estava lá em casa há uns seis meses, mas só no domingo resolvi estreá-la no Desafio do Feijão. Preparei um feijãozinho só no azeite, alho e linguiça. Folhinhas de louro para não dar gases. Só sei que me surpreendi com a capacidade calorífica da peça: depois que a bicha esquenta, já era! O caldo do feijão engrossa que é uma beleza no fogo baixinho. Aí, é só desligar e a panela mantém o alimento quente por muitas horas. Façam o teste.

Só penso que o homem evoluiu tanto, criou tanta tecnologia e materiais resistentes e a panela de pedra continua imbatível na cozinha.  Se os macacos tivessem descoberto isto antes...

Beijos da Chabuca  


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O gordo é o novo magro?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de Cinzas de um Carnaval um tanto estranho...

Mesmo sem saber sambar, adoro Carnaval (como já escrevi aqui antes). Mas este ano, decidi deixar os blocos do Rio de Janeiro de lado ( com um aperto no coração) e fui curtir o sol e o mar numa tranquila viagem à Ilha Bela.

Eu lá, no sossego dos peixes assados, passeios de escuna e repelentes contra borrachudos famintos, e do lado de cá da civilização, um Carnaval um tanto quanto estranho e tumultuado.

Longe da TV e da internet, soube por alto de fatos esdrúxulos, como incêndio e depredação na apuração do Carnaval de SP - parece até que um vândalo rasgou e escondeu as cédulas com a snotas dos jurados na cueca...Que coisa!

Ouvi dizer também que Jennifer Lopez ganhou US$ 2 milhões de cachê para "curtir" o maior carnaval do mundo no camarote de uma cervejaria, onde teria ficado duas horas com cara de muxuxo. está na internet...

Parece também que teve Sharon Stone ( é isso?) embolsando R$ 500 mil para levantar os dedinhos num camarote Vip em Salvador. A animação é nítida na foto...

Outra "estrela" americana a marcar presença no ziriguidum tupiniquim foi o ator Richard Dean Anderson, conhecido como "MacGyver", personagem do seriado de TV "Profissão Perigo", exibido nas décadas de 1980 e 1990. Convidado de Michel-ai-se-eu-te-pego-Teló e de Durval Lelys, do Asa de Águia, o super agente ao menos gerou boas fotos ao customizar o abadá com seu inabalável canivete (aquele mesmo, que, com um chiclete mastigado, construía uma bomba atômica).
 

Nada, absolutamente nada contra as celebridades no Carnaval: rendem fotos, vendem revistas e geram fluxo na internet. Mas bem que podiam incluir umas cláusulas de sorrisos e animação nos contratos milionários que fazem com os "gringos". 

Com a apuração zoneada e vergonhosa em SP, enredos estapafúrdios das escolas de samba ( juro que vi um sobre Ótica, não me perguntem de quem é) e celebridades com animação de bingo beneficente, os borrachudos de Ilha Bela foram uma opção bem razoável para os quatro dias de folia...   
 

 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ladrões de bicicleta são diferentes em SP e NY?



Eu sou super nacionalista, patriota mesmo - não admito gente falando mal do Brasil ou pagando pau pra qualquer coisa dos "estrangeiros"-, mas algumas vezes tenho vergonha do que acontece por aqui e de como as pessoas tratam o bem alheio.

Vou dar um exemplo de algo que rolou em Nova York e em São Paulo - uma história que pode, perfeitamente, manter as mesmas proporções de objeto, bairro e atitude das pessoas nas duas grandes cidades.

Em NY, uma empresa resolveu fazer um experimento para saber quanto tempo duraria intacta uma bicicleta acorrentada na rua. A experiência “Life-cicle – 365 dias na vida de uma bicicleta em NY” acorrentou uma magrela numa via movimentada da Big Apple e tirou fotos diárias do lugar. O resultado , editado, virou este vídeo muito bacana.


No dia 1 de janeiro de 2011, a bicicleta estava lá, completa com cesto, garrafa de água e lanternas. Ficou assim por 230 dias, intocada. Mas foi só surrupiar o primeiro item para que em 40 dias ela fosse totalmente "rapada".

É a tal Teoria da Janela Quebrada criada por sociólogos americanos para explicar atos de vandalismo e criminalidade nas grandes cidades. Pela teoria, um prédio cuidado dificilmente é depredado. Mas basta quebrar uma janela para as pessoas acharem que o imóvel não tem dono e começar a devastação: em pouco tempo, todas as janelas estão quebradas e o prédio pichado.

No caso da bike foi parecido com isso: enquanto ela estava inteira, as pessoas poderiam achar que o dono voltaria. Bastou sumir uma parte, para que os vândalos aparecesssem. Só que lá demorou 230 dias pra começar a pilhagem. Em menos de 365 dias, a bike tinha evaporado! Além de um ótimo teste de comportamento, valeu a dica para os americanos: não larguem suas bicicletas por aí se elas estiverem descuidadas.

Agora, sabe quanto tempo demorou para uma bicicleta ser totalmente surrupiada, devastada e levada aqui em São Paulo de um bairro nobre?

DOIS dias!

Isso mesmo, um centésimo do tempo. Os vândalos e ladrões paulistanos levaram menos de 1% do tempo dos americanos para surrupiar uma bicicleta acorrentada na Alameda Santos, no Paraíso. A bike, presa há uma quadra da Av. Paulista, em um lugar cercado de seguranças e restaurantes como Dinhos, Barbacoa Grill, Casa da Empada, e lojas como Americanas, foi levada em DOIS dias.

O dono da bicicleta, simplesmente, encontrou a corrente cortada. E vamos combinar que para cortar uma corrente a pessoa deve planejar o crime, pois ninguém anda com alicate de corte de corrente no bolso da calça...

Comparando os dois episódios só podemos tirar tristes conclusões:
- O brasileiro tem um centésimo da civilidade e respeito aos bens alheios em relação ao norte-americano
- Aqui, a teoria da Janela Quebrada não funciona: o bem não precisa nem estar minimamente depredado para a selvageria acontecer.
- Nosso vídeo teria apenas dois frames, duas fotos, e não duraria nem 1 segundo...
 
Além de um triste teste de comportamento, fica a lição: não largue sua bicicleta por aí, nova ou  descuidada. Os ladrões vão aparecer e ninguém vai fazer NADA!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Calcinhas hasteadas a meio pau: Wando se foi!


Li a frase do título no Facebook: Wando pereceu -todas as calcinhas hasteadas a meio pau! 

Há tempos não via uma comoção tão grande pela morte de um artista. Diversos amigos jornalistas correram para postar nas redes sociais suas fotos ao lado do cantor. Sempre acessível, Wando adorava dar entrevistas! Reportagens com o artista sempre rolaram nos lugares onde trabalhei: do programa Boa Noite Brasil na Band ( no quadro "Leão em Sua Casa"), passando pela Record (quadro "Antes da Fama" no Hoje em Dia) e até no Meio&Mensagem (na Coluna Sapo de Fora). Não me lembro de Wando se recusar a falar com um repórter.

Garoto-propaganda de si mesmo, foi mestre em criar um estilo único. Jogar calcinhas na plateia virou seu símbolo máximo. De volta, as fãs jogavam as próprias peças para o cantor. Dizem que tinha um quarto cheio delas, uma espécie de bunker do fetiche!


Antes de ser cantor, foi engraxate e feirante. Das barracas de feira trouxe a lábia que convencia público e empresas. Em 2008, por exemplo, Wando foi a voz da rede varejista Eskala. Venderam 3 MILHÕES de calcinhas do estoque ao som de "Fogo e Paixão".

Considerado cult por uns e brega por muitos, Wando viveu uma vida de prazeres, cantou na noite e não era adepto das academias. Mineiro romântico com alma carioca, morreu hoje aos 66 anos. Do coração. Não poderia ser diferente...

 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"Eu quero é botar meu bloco na rua..." (e não chamem a polícia, por favor)

Em apenas quatro meses, meus amigos e eu conseguimos dar vida a um sonho: criar um bloco de Carnaval em São Paulo. O que nasceu como uma ideia em uma festa de aniversário, ganhou corpo e alma no sábado passado, quando conseguimos reunir no bar do Bigode, na Rua Simão Álvares, em Pinheiros, mais de uma centena de foliões, de todas as idades, dispostos a dançar e cantar marchinhas antigas. O clima, totalmente família, teve mães, avós, netos, filhos, genros, cunhados, irmãos, bebê, pets, amigos. Todos felizes!

Uma Towner antiga, um microfone e alguns CDs foram suficientes para fazer a festa de paulistanos acostumados a ver apenas pela TV a alegria de cariocas, recifenses e baianos em suas festas de rua. O bloco do Paralelepípedo, que ganhou este nome por desfilar apenas nas vias com este calçamento nas proximidades de Simão Álvares, foi sucesso de crítica e público, aprovado por 99% das pessoas da região, que dançaram e acenaram das janelas para os alegres foliões na tarde de sábado.
Senhoras felizes acenam das janelas para o bloco que passa...


Apenas 1% dos vizinhos tentou minar a alegria da trupe chamando a polícia. Quando a viatura chegou, 3 e meia da tarde ( isso mesmo, 15:30 hs), a policial, muito educada e gentil, ainda falou ; "Que pena que alguns vizinhos não apreciem esta marchinha tão bonita". Como ninguém se apresentou para dar queixa, continuamos a festa. A vaia permaneceu guardada para o reclamante...Vaia, pelo que consta, não é crime...

Encontro de gerações: sem idade pra ser feliz
Uma hora depois, foi a vez de uma senhora se aproximar do carro de som e pedir para acabar com a música. A alegação? "Meu neto não consegue dormir". Talvez porque fosse 4 e meia da tarde de um dia quente e o menino devesse estar na piscina, ou passeando com os pais e vendo os cachorros do bairro?

Jovens foliãs aproveitam o sábado de sol pra dançar as marchinhas de antigamente

Sete e meia foi a vez de nova viatura aparecer, alegando que um vizinho reclamou do barulho na rua. Teríamos apenas mais alguns minutos de som, por conta do horário do aluguel do carro, ou seja, antes do sol se pôr o som teria ido embora...O policial, novamente muito gentil, se foi porque logo o carro de som iria embora.  

"O carro de som já vai embora, antes do por do sol..."
O que me chamou a atenção é que no mesmo sábado um bloco dez vezes maior, com trio elétrico, saiu pelas ruas da Pompeia, sem nenhuma ocorrência policial causada por netos insones ou vizinhos rabugentos. O bloco do Paralelepípedo irá sair apenas um vez por ano, apenas uma tarde por ano, e merece o mesmo respeito... 

Por que os reclamantes que ligaram pra polícia no sábado não fazem o mesmo pra banir o barulho de máquinas que tampam os buracos nas ruas de paralelepípedo com piche, tirando a originalidade do pavimento tombado como patrimônio histórico da cidade? Já que gostam de reclamar, que reclamem por causas nobres...

Fica a sugestão. E sejam felizes, por favor!

PS: há ainda a opção de moradia em lugares sem festa de rua, como a Sibéria. 
          

Organizadores comemoram sucesso do bloco

"Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade". Raul Seixas

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Eu não sei sambar (ou "A foliã dos dedinhos erguidos no Bloco do Paralelepípedo")

Apesar da genética negra, da pele morena e da nacionalidade brasileira, eu não sei sambar! Como diz um amigo: "Pronto, falei. Tô leve!"

Quando digo sambar me refiro a manter o mínimo de coordenação entre pés, mãos, quadril e cabeça, acompanhando o ritmo do pandeiro ou da cuíca. Me envergonho de não saber requebrar como as passistas negras do morro ou as loirinhas cheias de malemolência dos ensaios da Rosas de Ouro.

Já tentei de tudo: ensaiar no banheiro na frente do espelho, imitar as pessoas nas rodas de samba, acompanhar os vídeos do YouTube do Carlinhos de Jesus - isto está na minha lista de dez coisas mais ridículas que já fiz na vida ( dá uma olhada no vídeo: o cara ensina tudo de maneira TÃO simples, mas é TÃO complicado, que no final quase caí) .



Mas mesmo com todas esta falta de samba no pé, adoro Carnaval. E depois de duas ou três cervejinhas, danço pra valer, mesmo decepcionando quem acreditava que eu era a Rainha do Samba.

Com todo atrevimento que me é peculiar, participei com uns amigos da criação de um bloco de Carnaval: o bloco do Paralelepípedo. O nome exótico e de difícil pronúncia e rima nasceu do calçamento antigo de algumas ruas tranquilas do bairro de Pinheiros, patrimônio histórico da cidade de São Paulo. A ideia é manter o mesmo o ar nostálgico das antigas marchinhas, das colombinas e pierrôs de antigamente.

O bloco sai neste sábado, dia 04 de fevereiro, a partir das 15 horas. A concentração é no Bar do Bigode, na Rua Simão Alvares, 295. Convidei amigos e a família. Vai ser dia de mostrar a falta de samba no pé, mas os dedinhos pra cima e a alegria já estão garantidos.

Quem sabe não aprendo, aos 40, a arte de "pisar miudinho, bem devagarinho, no ritmo do samba"? 
Estandarte do Bloco do Paralelepípedo


Bjos da Chabuca