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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tufão: os 7 maiores medos da cornitude

Com audiência de final de Copa do Mundo, com mais de 50 pontos no Ibope, o capítulo da novela Avenida Brasil que mostrou Tufão descobrindo a traição da esposa Carminha e expulsando a megera de casa, pra todo Divino ver, teve o mérito de arrastar uma horda de homens para a frente da TV.

Gente que nem mesmo acompanha a novela, parou pra ver o barraco na mansão mais vigiada do Brasil (e não é o BBB).

No Facebook, Twitter, bares, restaurantes, academias, dentro de casa, os homens se uniram na dor daquele que é o símbolo máximo da cornitude masculina.

A figura de Tufão incorpora o sete maiores medos de todo homem quando o assunto é traição:

1- SER CORNO.

2- SER CORNO POR MUITO TEMPO

3- SER CORNO DO CUNHADO

4- SER CORNO DENTRO DE CASA 

5- CRIAR OS FILHOS DO OUTRO

6- SUSTENTAR O AMANTE DA MULHER.

7- TODOS FICAREM SABENDO DA CORNITUDE

Quando Tufão "acorda" e toma uma atitude - botando pra fora de casa aquela que ele amou, sustentou, abrigou, deu presente e uma aliança no dedo - é a redenção de todos os homens que foram, são ou TEMEM SER cornos! Ou seja, todos!

O autor da novela, João Emanuel Carneiro, trouxe com maestria um assunto tabu para todos os homens, conseguindo criar uma novela com pouco romance e muita ação, ideal para atrair o públcio masculino.

Um exemplo: a cena de Max deixando o pacote com fotos comprometedoras na casa e saindo da mansão é quase cinema. A trilha lembra Tarantino, o enquadramento é de filme de ação - só faltou o amante acender um cigarro, jogar para trás e explodir a casa.

Inserir o cunhado na traição foi uma ode à Nelson Rodrigues e suas típicas famílias cheias de desejos e traições. Colocar a dúvida da traição durante tanto tempo para Tufão traz o Bentinho machadiano de volta.

A classe C mandando na trama, com dinheiro no bolso e mantendo os hábitos da periferia, um agrado a todos os brasileiros que sabem que é preciso dar duro pra tomar sua cervejinha e ouvir seu pagodinho no final de semana.

Bater não pode! 

Porém, ah porém...( como diria Paulinho da Viola) um detalhe da história não pode se deixado de lado: os dois tapas na cara que Tufão deu em Carminha!

A redenção masculina sempre pediu violência contra a adúltera. "Lavei minha honra com sangue", bradou Coronel Jesuíno, da minissérie Gabriela, depois de matar a esposa Dona Santinha flagrada nos braços do amante dentista.

Tem gente que acha ainda que adultério é crime. Não, não é. Já foi crime no Código Penal, mas deixou de ser. É sacanagem, desrespeito, falta de vergonha, filha da putagem, mas não é crime!

E quando um homem traído dá dois tapas na cara de uma mulher, passa-se o recado em rede nacional que, por "merecimento", a violência se justifica.

Se o Tufão tivesse só esculachado, humilhado, gritado, botado pra fora de casa a mulher Carminha , sem um tostão no bolso, sem bolsa, sem documento, sem absolutamente nada, na frente de todos os vizinhos, já seria castigo suficiente para a azeda da Carminha.

Tapa na cara não precisa. Cria-se a ideia de que a violência é aceita (e até aplaudida) em algumas situações. E não é.

A fantástica trama de João Emanuel Carneiro não precisava mostrar um homem batendo em mulher, com a aprovação de toda nação, em rede nacional.

(Curtam a página do Atitude 40 no Facebook: www.facebook.com/Atitude40)

Imagens: reprodução




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